O município de Birigui concluiu as obras de modernização das unidades de pré-tratamento da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), viabilizadas com o auxílio de recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e do apoio técnico do Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê (CBH-BT). O investimento total foi de R$ 1.132.345,14 e foi destinado à modernização do sistema de pré-tratamento de esgoto, etapa essencial para o funcionamento efetivo das lagoas de estabilização responsáveis através do tratamento do efluente sanitário.
Do valor investido, R$ 825.656,19 foram financiados através do Fehidro na modalidade não reembolsável, enquanto o município aportou uma contrapartida de R$ 306.688,95. O projeto foi analisado e recomendado através da Câmara Técnica de Saneamento do CBH-BT e fica alinhado às prioridades definidas no Plano da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê, documento que orienta as ações estratégicas voltadas à preservação e gestão dos recursos hídricos da área.
As intervenções contemplaram a modernização completa do sistema de pré-tratamento da ETE, onde ocorre a retenção de resíduos sólidos, decantação da terra carreada — processo em que materiais mais pesados se depositam no fundo dos tanques — pelas redes de esgoto antes do tratamento biológico dos efluentes. Entre os equipamentos instalados estão uma grade de barras mecanizada tipo quatro cabos na unidade localizada a montante da Estação Elevatória de Esgoto Bruto (EEEB) e uma rosca transportadora para remoção automática dos resíduos retidos no gradeamento.
Também foram implantados seis dispositivos hidráulicos do tipo Stop Log, usados para o controle e isolamento de canais durante operações de manutenção, além de um equipamento de gradeamento médio mecanizado do tipo cremalheira e uma esteira mecanizada para transporte dos resíduos sólidos removidos. Os equipamentos novos substituem processos que anteriormente dependiam de operações manuais, propiciando mais segurança, eficiência e agilidade às atividades da estação.
O descarte irregular de resíduos sólidos na rede de esgoto representa um dos principais desafios para a operação dos sistemas de coleta e tratamento. Embora pouco percebida através da população, essa prática pode provocar obstruções, extravasamentos e até o rompimento das tubulações, além de comprometer a eficiência das unidades de tratamento, que são projetadas para remover a carga poluidora do esgoto sanitário e não para processar resíduos sólidos. Entre os materiais frequentemente descobertos nas redes estão cotonetes, curativos, fraldas descartáveis, embalagens plásticas e até peças de roupa.
Outro fator que impacta o desempenho do sistema é a entrada excessiva de terra e sedimentos nas redes coletoras. O problema, geralmente, fica associado a ligações irregulares de águas de chuva, como ralos, calhas e regiões externas, conectadas indevidamente ao sistema de esgotamento sanitário. Além de aumentar o desgaste das estruturas, essa prática pode causar o rompimento das tubulações e o assoreamento das lagoas de tratamento, reduzindo sua capacidade operacional e elevando os custos de manutenção.
Estrutura atende aproxamadamente 130 mil habitantes
Em operação desde 1999, a Estação de Tratamento de Esgoto de Birigui fica que se encontra na área rural do bairro Baixotes, entre os municípios de Birigui e Coroados. A unidade recebe todo o esgoto sanitário gerado na área urbana e faz a inauguração do efluente cuidado no Ribeirão Baixotes, afluente do rio Tietê.
Atendendo aproximadamente 130 mil habitantes, a estação passou por essa modernização para adequar sua operação ao porte atual da cidade. O crescimento populacional e o consequente aumento da vazão de esgoto tornaram necessária a modernização dos equipamentos e dos processos operacionais, com o intuíto de adequar o sistema à demanda atual e assegurar maior eficiência no tratamento dos efluentes.
A iniciativa fica alinhada às diretrizes do Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei Federal nº 14.026/2020), que estabelece metas para a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto até 2033. Neste contexto, investimentos voltados à eficiência operacional dos sistemas de saneamento são importantes para ampliar a qualidade dos serviços prestados à população, proteger os recursos hídricos e promover benefícios ambientais permanentes.
Entre os principais resultados esperados estão o aumento da eficiência do pré-tratamento, a redução da carga de resíduos dirigida às lagoas de estabilização, a ampliação da vida útil das estruturas existentes e a melhoria do desempenho global da estação. As obras também contribuem para o atendimento das normas ambientais de lançamento de efluentes e para a redução dos impactos sobre a qualidade das águas do Ribeirão Baixotes e da bacia hidrográfica do rio Tietê.
Com informações de O Liberal

