O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vive um momento de estabilidade e de fortalecimento no comando da Casa, depois de um primeiro ano agendado por polêmicas. Nos últimos meses, o deputado paraibano teve vitórias significativas com a eleição do seu indicado ao Tribunal de Contas da União (TCU) e com o avanço da PEC do final da escala 6×1.
A mudança de ventos favoráveis a Motta ficou clara depois da vitória de Odair Cunha (PT-MG) na disputa para integrar a Corte de Contas na vaga indicada através da Câmara. A eleição fazia parte de um acordo firmado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2024, para selar o suporte da base governista à candidatura de Motta à presidência da Câmara.
O acordo causou insurreição dentro da base de Motta e implicou na entrada de outros seis deputados na disputa através da vaga ao TCU, o que poderia representar um cenário difícil para que o deputado paraibano cumprisse o acordo com o governo.
A disputa, no entanto, passou longe de ser apertada. Odair foi o escolhido por 303 votos, em uma clara apresentação de força de Motta. O 2º lugar, ocupado por Elmar Nascimento (União-BA), que angariou o suporte da oposição bolsonarista, recebeu 96 votos.
PEC da escala 6×1 Nesta semana, Hugo Motta teve mais uma vitória. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que diminui a jornada de trabalho para 36 horas semanais, acabando com a chamada escala 6×1.
A votação se deu em uma semana esvaziada através da incidência do feriado de Tiradentes e, apesar de ameaças de obstrução da oposição e de representantes do setor produtivo, a proposta acabou passando por unanimidade.
Para chefes partidários ouvidos através do Metrópoles, foi o suporte de diferentes forças políticas que abriu caminho para o fortalecimento atual vivido por Motta. Apoiadores classificaram o primeiro ano de mandato como “a maior guerra que já houve em primeiros anos de presidentes da Câmara” e que hoje Hugo tem um “caminho livre” de pautas polêmicas.
“Certamente [Hugo Motta] está mais forte e maduro. Enfrentou no primeiro ano de presidência a maior guerra que já houve em primeiros anos de presidentes da Câmara. Creio que daqui pra frente as maiores pedreiras já foram ultrapassadas”, diz o chefe do PDT, Mario Heringer (MG). Desgastes no primeiro ano Em 2025, Motta viveu em seu primeiro ano de gestão sucessivos desgastes, tanto com o governo quanto com a oposição. Ele desagradou o Planalto ao pautar e derrubar o decreto de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A relação foi se deteriorando durante dos meses, além da repercussão negativa causada através da PEC da Blindagem, desgaste que Motta atribuiu à militância do PT.
O Congresso e o Planalto ainda travaram um cabo de guerra nas votações de matérias relacionadas à Segurança Pública, como o PL Antifacção, pauta em que Motta tentou equilibrar as reivindicações do governo e da oposição em mais uma votação acalorada.
No final, ele acabou rompendo tanto com o então chefe do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ) , quanto com o chefe do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), e passou a agremiar forças dentro da sua própria base: o centrão.
A virada do ano melhorou a relação entre Motta e o governo Lula, fator que também auxiliou a assentar a posição dele na Câmara. Isso se dá, basicamente, porque o Planalto conta com Motta para dar andamento a pautas prioritárias diante das eleições deste ano, enquanto o deputado paraibano espera contar com o suporte do governo para emplacar seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), na disputa ao Senado através da Paraíba.
Com informações Metropoles


